O Flamengo agiu sozinho e, sozinho, bombardeou o campeonato estadual. É difícil imaginar a continuidade do Carioca sem a presença da Globo, como deverá acontecer nos próximos anos. Provavelmente sem substituto de mídia, o torneio ficará inviável para os times pequenos, que não contarão mais com a visibilidade e a verba da maior emissora do país. Será uma pá de cal na competição que cada vez atrai menos.

O fim dos estaduais está longe de ser uma tragédia. Os torneios já mostravam sinais de esgotamento, com um calendário tumultuado, jogos tecnicamente desinteressantes e públicos irrisórios nas arquibancadas. Mas o fim, na base da canetada do time grande, está longe da situação ideal.

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Para o Flamengo, é verdade que o Campeonato Carioca fará pouca diferença. Na última temporada, o time faturou quase R$ 1 bilhão e, somente com a entrada do Banco de Brasília, já ficará próximo da compensação financeira que será a ausência dos valores oferecidos pela Globo para o torneio deste ano, os tais R$ 18 milhões.

Mas, para outras equipes, a realidade não será a mesma. E aqui não é uma referência aos pequenos, mas sim aos companheiros de Série A do Flamengo. O Botafogo, por exemplo, faturou R$ 191 milhões em 2019. Isso significa que o fim do Campeonato Carioca abrirá um buraco de 10% nas finanças do time, algo significativo para quem vive na ponta da caneta na hora de fechar as contas para manter um clube. Isso, claro, sem considerar a menor exposição que a equipe terá.

Além disso, o Flamengo fez seu ato derradeiro apoiado na ilusão gerada pelo streaming. Apesar do sucesso, o alcance é menor e há poucas evidências de uma rentabilidade maior, especialmente para times menores. Sem contar com o fato de que, com contrato com a Globo até 2024 no Brasileirão e sem o estadual, a FlaTV voltará a ficar reduzida à produção de imagens dos bastidores pelos próximos anos, longe da revolução esperada pelo público e pelos dirigentes.

Como previsto, os campeonatos estaduais começam a dar adeus em 2020, mas por um caminho torto. A única ressalva é que, com as iniciativas individualistas dos dirigentes do Flamengo, ficou ainda mais claro para todos os outros clubes a necessidade de união por uma articulação visando um futebol mais sustentável.


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