MARKETING
Especialistas criticam aporte segmentado em camisas
RODRIGO CAPELO
Da Máquina do Esporte, São Paulo - SP
Em 29/07/10 as 9:00

Na Europa, dois clubes de grande porte encontraram alternativa para ampliar receitas com patrocínios sem poluir a camisa com logotipos, a exemplo do que faz o Corinthians no Brasil. Lyon, na França, e Juventus, na Itália, negociaram aportes individuais para camisas 1 e 2.

 

A empresa de apostas online Betclic irá expor a marca no uniforme titular da Juventus, o tradicional preto e branco, e na camisa titular do Lyon. Os valores de ambos os contratos não foram divulgados. No caso das peças para jogos fora de casa, a Juventus ainda não decidiu quem irá ocupar a propriedade, enquanto o Lyon concordou em estampar o logotipo da Everest Poker, companhia de jogos eletrônicos.

 

A estratégia, entretanto, é vista com receio por especialistas brasileiros. "Geralmente, quando uma empresa patrocina um clube de futebol, ela quer ter a exposição potencializada, e não dividida", argumenta Fábio Wolff, consultor em gestão desportiva e proprietário da Wolff Sports & Marketing.

 

"Se um clube quer 30 milhões, está no mercado, não recebe ofertas e decide que duas empresas podem pagar 15 ou 16 milhões cada, aí dá para dividir", complementa o consultor. "Se for por essa razão, para o clube não há prejuízo. Apenas acho ruim para a empresa".

 

Uma hipótese considerada viável por Wolff é caso um time faça excursão à China e use a marca de um patrocinador chinês, exclusiva para a ocasião. Ou, em exemplo mais próximo à realidade brasileira, se um clube permanecer por muito tempo sem patrocinadores por almejar oferta alta demais, caso do São Paulo.

 

No Brasil, contudo, é improvável que a estratégia seja implementada tão cedo. Na visão de José Carlos Brunoro, especialista em marketing esportivo e dono da Brunoro Sport Business, "a cultura ainda não está bem definida nas empresas, que começaram somente agora a ver o filão da camisa com intensidade".

 

Por esse motivo, apesar de permitir que clubes aumentem receitas, o fato de diminuir a visibilidade da marca da empresa torna o "conjunto da obra questionável". "É preciso ver o conjunto para descobrir se valeu a pena financeiramente em retorno de mídia", completa Brunoro. "Tudo depende da estratégia que a empresa adotar".

Mais noticias da categoria
Compartilhar
Comunicar erro
BUSCA POR NOTICIAS
Imprimir
Celular
REVISTA DA MÁQUINA
VEJA NESTA EDIÇÃO
Há um ano, Eike Batista anunciava sua entrada para valer no ...